O mercado imobiliário brasileiro está em um ponto de virada. Depois de 2025 marcado por juros em nível recorde e retração no crédito, o setor projeta um crescimento de 10% nas vendas em 2026, uma recuperação fundamentada em fatos concretos, não em otimismo vazio.
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) não está sendo otimista por acaso: suas projeções se baseiam em medidas governamentais reais. Desde a liberação de R$ 35 bilhões em crédito via compulsório da poupança até a criação da Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, o governo posicionou 2026 como ano decisivo.
O detalhe crucial é que esse crescimento não virá apenas de novos compradores, mas do resgate de uma demanda reprimida: nos últimos cinco anos, cerca de 800 mil famílias foram empurradas para fora do mercado de crédito. Com a SELIC em patamares elevados e a escassez de incentivos, quem ganha entre R$ 8 mil e R$ 15 mil ficou em um 'limbo' financeiro, incapaz de viabilizar o financiamento de imóveis na faixa de R$ 500 mil. Agora, com a criação da Faixa 4 e a injeção de novos recursos, esse público finalmente volta a ter acesso ao mercado. O que veremos em 2026 é o encontro dessas medidas com uma multidão que estava em standby, pronta para comprar assim que as condições se tornassem viáveis.
Para entender 2026, você precisa entender o que travou 2025: Selic em 15% ao ano, a mais alta em quase 20 anos. Essa taxa básica de juros desencadeou uma reação em cascata. As instituições financeiras encareceram o crédito: as taxas de financiamento começam em 11,29% ao ano, alcançando 13%+ ao ano após descontos compulsórios.
Em números reais, isso significa uma parcela de imóvel 30% a 50% mais cara do que era em 2021. O resultado foi previsível:
Enquanto isso, os preços continuaram subindo. O Índice FipeZap apontou uma alta de 6,22% em 2025, bem acima da inflação de 5,17%. A conta não fechou para a classe média, dependente de financiamento.
O governo liberou 5% do compulsório que os bancos mantêm no Banco Central, canalizando-o para crédito imobiliário. Isso injeta R$35 a R$38 bilhões no sistema e aumenta a oferta de crédito em 32%. A Caixa projeta um orçamento de R$90 bilhões do SBPE em 2026, versus R$68 bilhões em 2025.
Impacto: Mais dinheiro disponível = menos risco para o banco = taxas mais competitivas = condições melhores para o mutuário.
Depois de sete anos, o teto máximo do imóvel que você poderia financiar pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) sobe de R$1,5 milhão para R$2,25 milhões. Essa mudança expande o acesso para a classe média e permite que mais pessoas usem o FGTS como entrada ou amortização.
Em maio de 2025, o governo criou a Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida (MCMV), direcionada à classe média que não qualifica para o MCMV tradicional, mas sofre com juros de mercado.
Quem se qualifica:
Renda mensal entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil
Imóveis de até R$ 500 mil
Condições:
Taxa de juros de 10,50% ao ano (bem abaixo dos 11-13% do mercado)
Prazo de até 420 meses (35 anos)
Financiamento de até 95% do imóvel
Desde o lançamento em maio, o crescimento tem sido de 20% ao mês. As incorporadoras esperam atingir 10 mil unidades mensais dentro de oito meses. A MRV, maior construtora do país, já declarou que a Faixa 4 foi "muito boa" porque alcança exatamente o nicho que sofria com crédito caro.
Aqui entra outro fator crítico: a redução esperada da taxa Selic. O mercado projeta quedas em 2026:
Boletim Focus (dez/25): Redução para 12,50% até fim de 2026
Bradesco BBI: 11,75%
Itaú BBA: 12,75%
XP Investimentos: 12%
Isso significa uma queda projetada de 2,5 a 3 pontos percentuais. E aqui está o número mágico: cada 1 ponto percentual de queda na Selic retorna cerca de 160 mil famílias ao mercado de financiamento. Se cair 2,5 a 3 pontos, estamos falando de 400 a 480 mil famílias retornando ao mercado.
O programa continua como motor principal com orçamento recorde de R$180 bilhões em 2025 e expectativa de atingir 3 milhões de unidades até o fim de 2026. A Faixa 4 é o destaque, crescendo 20% ao mês.
Esse é o segmento dorminhoco que vai acordar em 2026. Penalizado em 2025 com quedas de mais de 20%, agora será o foco com a liberação do compulsório, aumento do teto SFH, e queda da Selic. A pesquisa da Brain Inteligência Estratégica aponta intenção de compra de 48% nesse segmento.
Menos sensível aos ciclos de crédito. Tendências para 2026: metragens menores, maior foco em qualidade e localização, co-branding com marcas premium, e senior living.
A pergunta de ouro: vão subir ou descer? Spoiler: provavelmente não vão descer. Os preços subiram 6,22% em 2025, bem acima da inflação, marcando o 4º ano consecutivo em que os preços crescem acima da inflação.
Por que continuam subindo?
Escassez de terrenos em áreas desejadas
Custos de construção em alta
Demanda fundamental forte
Projeção para 2026: Preços devem continuar subindo em ritmo moderado, acompanhando o IPCA (projetado em 4,06% a 4,18%) mais custos de construção. Não é deflação, é normalização de mercado.
Aqui está o verdadeiro catalisador: demanda reprimida + crédito liberado = explosão de vendas. Os números falam por si:
800 mil famílias excluídas do mercado em cinco anos
Para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, 160 mil famílias recuperam o poder de compra e retornam ao mercado.
Intenção de compra de 48% na classe A-B
Faixa 4 crescendo 20% ao mês
Se 2-3 pontos da Selic caem conforme esperado, estamos falando de 320 a 480 mil novas famílias retornando ao mercado.
Eleições em Outubro de 2026: Gera incerteza política. A Faixa 4 é financiada pelo Fundo Pré-Sal, não é estrutural.
Selic Pode Não Cair Conforme Esperado: Se a inflação permanecer persistente, o Banco Central pode pausar cortes.
Gargalos de Oferta: Falta de mão de obra, aprovações lentas, escassez de terrenos. Demanda liberada + oferta lenta = pressão de preços para cima.
Se sua renda bruta está entre R$8,6 mil e R$12 mil por mês e você quer financiar um imóvel de até R$500 mil, sim.
Provavelmente não. Histórico mostra preços subindo 4º ano seguido acima da inflação. Espera-se que continue em 2026 acompanhando o IPCA.
Enquanto Salvador (+16,25%) e João Pessoa (+15,15%) lideraram as altas no Nordeste, o Norte do Paraná está vivendo um momento histórico no mercado imobiliário, e Londrina é a estrela em ascensão.
Londrina em 2025: A cidade registrou uma valorização de 10,85%, com o VGV (Valor Geral de Vendas) atingindo R$ 3,3 bilhões, o melhor desempenho da história do setor. O preço médio do metro quadrado é de R$ 5.715 (janeiro 2026), com bairros em expansão como Terra Bonita e Zona Leste oferecendo melhor custo-benefício (R$ 5-6 mil/m²), enquanto regiões premium como Prochet ultrapassam R$ 12 mil/m².
Sim. As medidas principais já foram formalizadas. A probabilidade de continuidade é alta.
Para Vendedores: Atualize conhecimento sobre Faixa 4 e mapeie clientes antigos que saíram do mercado.
Para Incorporadores: Finalize projetos de médio padrão (vão vender em 2026-2027) e procure terrenos em boas localizações.
Para Compradores: Se qualifica para Faixa 4, negocie agora. Se não, simule financiamentos com taxas projetadas para Q2-Q4 2026.
Para Investidores: Monitore aprovações municipais e considere imóveis em cidades em expansão urbana.
O mercado imobiliário em 2026 oferece uma janela única: demanda liberada, crédito abundante, juros em queda. Se você estava esperando o momento certo para comprar, investir ou vender, 2026 é esse momento.
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