Se você anda acompanhando o mercado imobiliário, provavelmente já ouviu falar que 2026 é o "ano da retomada". Pois bem: os bancos já estão colocando ação nisso. Itaú e Santander, dois dos maiores bancos privados do Brasil, reduziram as taxas de juros de financiamento imobiliário entre o fim de 2025 e início de 2026, e a notícia é mais significativa do que parece.
O detalhe importante? Isso acontece mesmo com a taxa Selic mantida em 15% ao ano, o que indica algo maior: os bancos estão se posicionando para a retomada que vem por aí. Vamos entender o que mudou, quanto você economiza e como isso impacta sua decisão de comprar agora ou esperar.
O Itaú reduziu sua taxa mínima de financiamento imobiliário de 11,70% para 11,60% ao ano (mais a Taxa Referencial, ou TR). A mudança entrou em vigor em dezembro de 2025 e se aplica a operações de casa própria.
Parece pequeno? Uma redução de 0,10 ponto percentual pode parecer microscópica, mas ao longo de um financiamento de 30 anos, essa diferença se acumula. Em um imóvel de R$500 mil com 70% de financiamento (R$350 mil), a economia em uma operação de 35 anos é de aproximadamente R$8 mil a R$12 mil dependendo do perfil de crédito.
O Santander foi um pouco mais generoso. Reduziu a taxa de 11,99% para 11,79% ao ano (também acrescida da TR), uma queda de 0,20 ponto porcentual. O banco comunicou a mudança no início de 2026, reforçando que a redução é resposta às mudanças na política habitacional.
Na mesma simulação acima, essa redução representa uma economia de R$15 mil a R$20 mil ao longo do financiamento.
Essa é a pergunta que muita gente está fazendo. Se a taxa básica de juros está no nível mais alto em quase 20 anos, como os bancos conseguem reduzir os juros de financiamento imobiliário?
A resposta está em três fatores simultâneos:
Quando uma instituição reduz taxas, as outras precisam acompanhar ou perdem clientes. O mercado imobiliário começa a se aquecer com as mudanças do governo (Faixa 4 do MCMV, aumento do teto SFH, liberação do compulsório). Bancos querem uma fatia desse crescimento.
A Caixa Econômica Federal estabeleceu um teto de 12% ao ano para financiamentos voltados à classe média com renda entre R$12 mil e R$20 mil mensais. Isso criou um "piso de expectativa" no mercado. Se a Caixa oferece 12%, os bancos privados precisam ficar próximos, senão não conseguem competir.
Além disso, a Caixa ampliou o financiamento de imóveis de até 80% do valor (antes era menor) e aumentou o teto de imóveis para R$2,25 milhões (estava em R$1,5 milhão). Essas mudanças forçaram a concorrência.
Os bancos operam com base em expectativas. O Boletim Focus (previsão do mercado) aponta que a Selic deve cair para 12,50% até fim de 2026. Bancos que reduzirem agora ganham market share e se posicionam melhor quando os juros caem de verdade.
É um movimento estratégico: reduzir um pouco agora, conquistar cliente, se beneficiar quando Selic desabar em 2026.
Vamos a números práticos. Imagine um cenário comum na classe média:
Simulação de Financiamento:
Valor do imóvel: R$ 500 mil
Entrada: 30% (R$ 150 mil)
Financiamento: 70% (R$ 350 mil)
Prazo: 35 anos (420 meses)
Taxa: 11,60% a.a. (Itaú novo)
Parcela mensal aproximada: R$ 3.800 a R$ 4.200 (dependendo da TR e cálculo de juros)
Se fosse 11,70% (taxa antiga do Itaú):
Parcela mensal: R$ 3.850 a R$ 4.250
Economia mensal: R$ 50 a R$ 80 por mês
Ao longo de 35 anos, isso significa uma economia de R$21 mil a R$33.600. Para o Santander, a economia seria quase o dobro.
Mas espere: essa economia só vale a pena se você vai financiar agora. Se esperar até junho (quando a Selic deve começar a cair), as taxas devem ser ainda mais baixas.
A Caixa informou que não prevê ajustes nas taxas de juros. Isso não significa que está fora do jogo. Na verdade, a Caixa já oferece as menores taxas do mercado:
10,26% a.a. + TR para clientes com relacionamento (débito automático, conta-corrente movimentada)
Teto de 12% ao ano para financiamentos de classe média
Faixa 4 do MCMV: 10,50% ao ano (taxa fixa!)
A Caixa não precisa reduzir porque já é competitiva. Além disso, é banco estatal e tem objetivos sociais (ampliar acesso à moradia), não apenas lucro.
Se você vai financiar um imóvel em janeiro-fevereiro de 2026, a escolha depende do seu perfil:
Caixa Econômica Federal ganha. Taxa a partir de 10,26% a.a. + TR (com relacionamento) ou 10,50% a.a. fixo para Faixa 4.
Aproveite o relacionamento. Itaú está em 11,60% e Santander em 11,79%, ambos competitivos. Clientes com histórico bom conseguem taxas melhores dentro desses patamares.
Banco Inter oferece 9,5% ao ano + IPCA (100% digital). Mas cuidado: indexado ao IPCA significa que quando a inflação sobe, sua taxa sobe junto.
Todos os bancos têm simuladores online gratuitos. Simule em 3-4 bancos antes de decidir. A melhor taxa é aquela que cabe no seu bolso.
Essa é a dúvida de ouro. Você está vendo redução de juros, mas sabe que a Selic deve cair mais em 2026. Vale a pena pegar financiamento agora?
✓ Aproveita as reduções (Itaú, Santander)
✓ Entra no imóvel antes de possível inflação de preços
✗ Taxa ainda é 11%+ (Caixa está em 10,26%, melhor opção)
✗ Selic pode cair mais em Q2, taxas podem descer mais
✓ Selic começa a cair (expectativa: 12,50% até fim 2026)
✓ Taxas de financiamento devem recuar 1-1,5pp
✓ Melhores condições gerais (crédito mais abundante)
✗ Preços podem ter subido (FipeZap aponta tendência de alta)
✗ Demanda pode explodir, reduzindo margem de negociação
Se qualifica para Faixa 4 (renda R$8,6k-E $12k, imóvel até R$500 k): Financie agora. A taxa de 10,50% fixa é ótima e não vai melhorar muito.
Se é classe média (renda R$12k - R$20k): Espere até Q2. A Caixa prometeu teto de 12%, podendo descer para 11-11,5%.
Se é cliente Itaú ou Santander com score bom: Simule agora e decida. Redução de 0,10-0,20pp vale pouco perto de esperar 2-3 meses.
Essas reduções de 0,10 a 0,20 pontos percentuais parecem pequenas. Mas são sinais de um movimento maior que vem:
Competição acirrada: Bancos querem sua carteira antes que Selic caia
Pressão do governo: Medidas de crédito estão funcionando (Caixa, Faixa 4)
Expectativa de Selic em queda: Mercado se posiciona para 2026
Demanda reprimida acordando: 800 mil famílias retornando ao mercado
1. Se vai financiar em jan-fev 2026:
Abra simuladores em Caixa, Itaú e Santander. Compare CET (Custo Efetivo Total, que inclui todas as taxas). Escolha o melhor.
2. Se pode esperar até Q2:
Monitore as previsões de Selic. Quando o Banco Central anunciar os primeiros cortes (esperado para fevereiro), aguarde reflexo nas taxas dos bancos (deve vir 4-6 semanas depois).
3. Negocie tudo:
Mesmo com taxas divulgadas, há margem. Relação com banco, renda comprovada, FGTS disponível, entrada maior, tudo influencia a taxa final. Negocie sempre.
4. Use o FGTS:
Se tem saldo no FGTS, usa na entrada ou amortização. Reduz o valor financiado e, portanto, os juros pagos no total.
As taxas vão descer mais?
Sim, provavelmente. Quando a Selic descer (esperado Q2-Q3 2026), as taxas dos bancos devem acompanhar, caindo mais 1-1,5pp.
Qual banco tem a melhor taxa agora?
Caixa (10,26% a.a. + TR com relacionamento). Se não qualifica para Caixa, Itaú (11,60%) está melhor que Santander (11,79%).
Vale a pena essa redução de 0,10pp do Itaú?
Para quem financia agora, sim. Para quem espera, não, pode cair muito mais.
O mercado está se movimentando. Se você estava esperando o momento certo para financiar um imóvel, 2026 é o ano. Com bancos reduzindo taxas, Faixa 4 do MCMV oferecendo condições ótimas, e Selic em perspectiva de queda, agora é o momento de agir.
Na Imobiliária Conecta, ajudamos você a navegar nessas opções. Quer comparar as melhores taxas e simular seu financiamento com os dados atualizados de janeiro de 2026?